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Mato do Júlio: memória de Cachoeirinha é lembrada a partir da Casa dos Baptista

Escrito por  Vanessa Martins 12 Maio 2017 Publicado em Últimas Notícias
Mato do Júlio: memória de Cachoeirinha é lembrada a partir da Casa dos Baptista Fernando Planella

Conheça a história da cidade que está fazendo 51 anos e que nasceu a partir de terras de imigrantes açorianos

O cidadão de Cachoeirinha que passa pela Avenida Flores da Cunha tem uma oportunidade reservada a poucas pessoas: ver, ao vivo, uma imagem do passado de sua cidade. Este passado está no Mato do Júlio, remanescente de uma história de mais de duzentos anos, numa época em que as cidades eram pequenos povoados, separados por vastos campos e pastagens.

Esta história começa com o imigrante João Baptista Soares da Silveira e Souza. Ao chegar ao Brasil em 1813, este açoriano, vindo da ilha de São Jorge, solicitou à administração colonial uma área de terras, concedida em 1814, cujos limites estão dentro do território de Cachoeirinha. A edificação construída nesta área, a Casa dos Baptista, é o nosso patrimônio histórico mais importante.

João Baptista se tornou um importante empreiteiro de obras, participando de construções da Capital no século XIX, como o Theatro São Pedro e a Ponte de Pedra. Inclusive, a primeira ponte de Cachoeirinha, demolida no início do século XX, também foi construída por ele. Pelos serviços prestados, recebeu o título de Comendador.

Ao falecer em 1870, João Baptista deixou seus bens a dois sobrinhos. Um deles, João Baptista Soares da Silveira e Souza Sobrinho, coronel da Guarda Nacional, se estabelece na Casa dos Baptista. Por ocasião do falecimento do coronel, seus filhos e filhas dividem as terras da fazenda entre 1924 e 1936, e a maior parte deles loteia as terras. Este fato foi o impulso para o começo da ocupação urbana de Cachoeirinha, a partir da Vila Cachoeirinha em 1941.

Apenas um destes descendentes conservou suas terras intactas. E esta parte é justamente a área do Mato do Júlio, onde está, sobrevivendo ao tempo, a Casa dos Baptista, testemunho da colonização do Estado pela imigração açoriana. A preservação desta casa é um passo fundamental para a valorização do passado e da cultura, não só de Cachoeirinha, mas de todo o Rio Grande do Sul.

Com o início dos loteamentos, Cachoeirinha transformou-se. A paisagem rural deu lugar às ruas e quadras, à instalação do comércio e ao fortalecimento da comunidade. Em 1957, Cachoeirinha é elevada a distrito de Gravataí.
Em 1959, iniciaram-se as reuniões para a emancipação do município, na casa de José Teixeira, que não tiveram êxito por falta de apoio da população. No fim dos anos 1960, foi criada uma nova comissão, que tampouco alcançou seus objetivos. Só em 1965, quando surgiu um terceiro movimento emancipatório, chegou-se à vitória, graças à grande representação política que o distrito tinha, então, em Gravataí, uma vez que três vereadores, José Prior, Osvaldo Correia e Martinho Espíndola, além do vice-prefeito, Rui Teixeira, residiam em Cachoeirinha.

A instalação do município — autorizada pela Lei Municipal nº 5090/65, de 9 de novembro de 1965 — deu-se em 15 de maio de 1966, data em que se comemora oficialmente sua emancipação política de Gravataí.
Em 1970, a economia do município diversificou-se e tomou impulso com a instalação de um Distrito Industrial, que gerou um surto migratório de catarinenses e de gaúchos provenientes de regiões como Palmeira das Missões, Santa Maria e Santo Antônio da Patrulha.

CURIOSIDADES

- O nome Cachoeirinha teve origem em uma pequena queda d'água localizada cerca de um quilômetro acima da ponte do rio Gravataí, que impedia a navegação, principalmente em épocas de estiagem. A rocha que formava a queda d'água foi dinamitava em 1928, em função das obras de dragagem feitas para facilitar a navegação entre os municípios de Santo Antônio da Patrulha, Gravataí e Porto Alegre.

- Em 1925, surgiu a ponte de ferro de uma mão, que foi uma doação do Exército da então Tchecoeslováquia ao governo gaúcho, que terminaria virando o maior símbolo da cidade, mesmo depois de desmontada e vendida a um ferro-velho no final dos anos 1990.

- Cachoeirinha já foi reconhecida como a "Cidade do Leite", pois sua economia era baseada no cultivo de hortifrutigranjeiros e na criação de gado, destacando-se, sobretudo, pela produção leiteira.

- Com o falecimento do coronel João Batista Soares da Silveira e Souza, em 1923, seus herdeiros iniciaram a venda das terras, dando início à expansão do distrito. Foram abertas as ruas Tamoio, Tabajara, Tapajós e Tupi e a atual Papa João XXIII, formando-se o primeiro loteamento local, a Vila Cachoeirinha.

- O nome Mato do Júlio se deve ao último morador da Casa dos Baptistas, o senhor Júlio Baptista.

- Estrategicamente localizada a 17 km do centro de Porto Alegre, Cachoeirinha faz divisa, também, com Gravataí, Esteio, Alvorada, Canoas e Sapucaia do Sul, o que a transformou em um importante polo logístico, além de se destacar por sua pujança nas áreas industrial, comercial e cultural.


CACHOEIRINHA E SEUS COMANDANTES

- Francisco Valls Filho (15/05/1966 - 31/01/1968): primeiro comandante do município, nomeado interventor pelas autoridades estaduais da época;
- Rui da Silva Teixeira (31/01/1968 - 02/07/1969): primeiro prefeito eleito pelo voto popular;
- Alécio Caetano Goulart (09/07/69 - 01/09/69): assumiu interinamento o lugar de Rui, de quem era vice-prefeito;
- Aury de Oliveira (01/09/1969 - 31/03/1973): o interventor substituiu Alécio dois meses depois de sua posse;
- Alécio Caetano Goulart (31/01/1973 - 31/01/1977): retornou ao cargo após a saída de Aury;
- Francisco José Rodrigues (31/01/1977 - 31/01/1983);
- Francisco de Medeiros (31/01/1984 – 1°/01/1989);
- Gilso de Almeida Nunes (01/01/1989 - 31/12/1992);
- Francisco de Medeiros (01/01/1993 - 24/07/1994): voltou a cargo, tendo falecido no exercício do cargo, vítima de um acidente de trânsito;
- Maurício Medeiros Tonolher (25/07/1994 - 31/12/1996), assumiu o cargo em razão do falecimento do titular;
Valdecir Mucillo (01/01/1997 - 31/12/2000);
- José Luiz Stédile (01/01/2001 - 31/12/2008);
- Luiz Vicente da Cunha Pires (01/01/2009 - 31/12/2016);
- Miki Breier (01/01/2017) é o atual prefeito.


*Informações de Guilherme Dias da Silva, doutor e pesquisador em História da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo de Cachoeirinha. Editado por Vanessa Martins.